domingo, 11 de dezembro de 2011


Ah!... Doce solidão,

vazio que preenche minha essência e me faz continuar ser e não o contrário!
É singular, ama na medida certa e é louca em demasia.
Eis que sou.
O caos traduzido em poesia, sob surtos de intensidade divinamente diabólica... Eu gosto de seu caminhar e de como sinto o seu suspirar em minha pele recitando os momentos em que estou em você e vice-versa. Somos um, perdidos na imensidão inexistente e inerente a qualquer movimento conhecido. Somos um e nossa dança é única.
Sozinha eu me sinto ofegante... Sozinha eu sempre estive e talvez permaneça, pois ninguém conhece este universo infinitamente solitário e ninguém se interessa em conhecer, é pavoroso, mas é onde estou... Se puder decifre, se não, fique onde está... Não se aproxime agora que sou forte.
Quero rolar neste chão de lágrimas e soluços contemplativos misturados a risos, lembrando de quando me sentia viva e meu corpo ainda era quente... De mim e daquele sorriso verdadeiro, resta o vurmo e a pele gélida que sonha quem sabe um dia ser tocada por uma faísca que seja para que então possa reabrir os olhos e se encantar com algum lábio que lhe devolva a vida!
Creio que sinto saudades daquilo que de fato nunca existiu. Nunca verdadeiramente foi e de repente nunca será... As caminhadas são desconexas e vai ser assim para sempre... Ando na ponta dos pés entre o inferno e a calmaria; só um abraço e uma bebida forte resolveria nada mais.
Entretanto, eu quero ficar aqui... Vá e deixe com que eu me jogue contra este vento traiçoeiro que me seduz... Quem sabe não nos encontremos na próxima cremação de nós mesmos!
Que você esteja radiante e eu com mistério no olhar... Mas que estejamos sós... Perdidos dentro de nossas realidades maravilhosamente febris... Projetemos nossas posses em delírios de uma noite, para que quando volte o dia, sejamos livres, caminhando em sentido inverso buscado nosso ego... Solitários, ridículos... Incrédulos humanos.
Saio do plural e volto ao que sou realmente. Olhando para o teto branco, inerte e alheio... Circular, cíclico. Entre brinquedos, letras e cigarros!
Reduzo-me ao fazer parte disso tudo. Uns chamam de vida, eu chamo de morte superficial.
(...)

Só suposições

Suponhamos que eu seja uma criatura forte, o que não é verdade. 
Suponhamos que ao tomar uma decisão eu a mantenha, o que não é verdade. 
Suponhamos que eu tenha menos defeitos graves do que tenho, o que não é verdade.
Suponhamos que baste uma flor bonita para me deixar iluminada, o que não é verdade.
Suponhamos que eu esteja sorrindo logo hoje que não é dia de eu sorrir, o que não é verdade.
Suponhamos que entre os meus defeitos haja muitas qualidades, o que não é verdade.
Suponhamos que eu nunca minta, o que não é verdade.
Suponhamos que um dia eu possa ser outra pessoa e mude de modo de ser, o que não é verdade.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Mesmo que não tenha sido a sua intenção,

 hoje eu percebi que você, assim como eu, fez a sua escolha. E não fui eu. Ser mulher também tem disso, interpretar as entrelinhas, entender o que não foi dito. Mas que bom, porque meus braços já não aguentam mais remar sozinhos.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Lá está ela, mais uma vez.

Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.
Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera.
Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é?
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?
A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.
Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?
E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará.
A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente.
Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Chorar por tudo que se perdeu,

por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e .ignoro todas as tentativas de aproximação. Tenho vontade de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.
A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Querido Papai Noel,


Esse ano fui uma menina muito boazinha. Passei fio dental, paguei todas as minhas multas e usei camisinha. Por isso, queria te pedir um presente. A última vez que te escrevi uma cartinha eu devia ter uns seis anos. Depois disso, o Thiago, o menino ranhento da minha classe, riu bem alto de mim, me apontando enquanto girava no gira-gira.

Ela acredita! Ela acredita!

Pois é, eu acreditava, e morri de vergonha. E nunca mais quis saber de você. Por causa do trauma de ser inocente e do dedo apontado do menino cheio de ranho, você virou um velho tarado que fica de pau duro em shopping, querendo mais é sentar as jovens mães em seu colo barato. O mundo foi ficando feio e cínico e com cheiro de saco de Papai Noel que não tem tempo de lavar a única calça abafada.

Mas esse ano fui uma menina boazinha e resolvi resgatar o 0,1% de crença que ainda existe em mim e te fazer esse pedido. Eu acredito, Papai Noel. Eu acredito no amor. Coisa que tá muito mais difícil de acreditar do que num velho fazedor de brinquedo e seus viadinhos sobrevoando nossas cabeças. Se eu te contasse como foi minha vida amorosa nesses últimos anos, Santa, você diria: pegue seus livros, um vibrador e se mude agora para o Pólo Norte!

Congelada e solitária talvez você viva melhor! Mas cara, quer dizer, Papy, vou te falar que sou taurina e teimosia é meu sobrenome (na verdade é Pinto, mas acho que dá no mesmo). E eu ainda acredito no amor. Eu acredito! Volto agora pra cena macabra da infância.

Thiago tem apenas sete anos. Ele gira, gira. Segura com uma mão o brinquedo e com a manga do outro bracinho gordo ele limpa seus ranhos. Escuta aqui, moleque, mas escuta bem: eu acredito que dá pra sonhar. Dá pra sonhar seu desgraçadinho entupido! Ouviu? Assopra tapando o nariz pra destampar esse ouvido!

Noel, cara, eu cansei. Só quero que seja natural, simples, fácil e bom. Não quero falar o que meus amigos me mandam falar porque se eu falar o que eu tenho vontade de falar poucos vão ficar. Eu não quero poucos. Eu não quero muitos. Eu quero um. Um amor.

Só um já tive bastante do resto que parece amor, já fiz bastante do resto que parece amor, já provei bastante pro Thiago que ele tava certo em relação a girar e rir e não acreditar e escorrer pelo nariz de medo de ficar aqui dentro. Agora eu quero sentar no seu colo, sem você ficar de pau duro, e quero que exista alguma porra de pureza nessa vida.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O AMOR

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção. Pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e neste momento houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante e os olhos encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente divino: o amor.
Se um dia tiver que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.
Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.
Se você conseguir em pensamento sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado... se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite... se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...
Se você tiver a certeza que vai ver a pessoa envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela... se você preferir morrer antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. É uma dádiva.
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.
É o livre-arbítrio. Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR.