sexta-feira, 15 de junho de 2012

Essa história não é mais sua

Me coloquei perante a solidão por vontade própria e estou certo do que eu quero. Fico aliviado em sentir seu leve abandono e me deixo levar para longe, nisso meus sonhos cooperam com a minha vontade de querer te perder cada vez mais. Julguei o seu valor não pelo o que você realmente valia, mas sim pelo o que você valia pra mim. Errei feio e me intitulei como burro por testar a profundidade de um rio com os dois pés, mas infelizmente eu precisava ser burro para aprender a não ser burro. Desmascarado e perdido em meio à situação você sabia que a sua chance lhe havia sido dada e agora só restavam consequências. Ensandecido pelos olhares você me afirma não gostar de ser vítima, abro seus olhos e te olho com meu olhar mais sincero para te fazer crer de uma vez por todas que essa história não é mais sua…

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Para minha Alma Gêmea

Tomei a liberdade de decretar nosso dia!
Treze de Junho, posterior ao dia dos namorados. Por tantos outros motivos, o de que sempre tememos à essa palavrinha: namoro. Contudo, eu sempre emendando relacionamentos um-atrás-do-outro, e você sempre tendo uns e outros ao mesmo tempo.
Treze de Junho, porque quando nosso dia cair numa sexta-feira 13, não será azar. É sempre sorte termos uma a outra. Treze de Junho porque é um dia marcante, é o dia que os corações menos atordoados respiram e sossegam depois de uma avalanche de declarações de amor - falsas ou caretas - do dia anterior. Coisa da qual não estamos preparadas.
De uma forma ou de outra, temos uma certa dificuldade em lidar com relacionamentos que exigem afeto. Eu sempre demonstrando demais, querendo demais, e as pessoas sem saber retribuir esse "demais" que eu dou com tanta vontade. E você, com essa dificuldade de demonstrar. Esse receio. Essa falta de jeito pra deixar transparecer o que realmente sente.
O que temos em comum nesse ramo é o fato de sempre demonstrarmos errado. Ou de mais. Ou de menos. Tudo errado.
O dia de hoje é dedicado à nós. Ao nosso amor, parceria e cumplicidade, que perdura há anos desde o plano virtual.
São anos de ombro amigo e no meio de um ou o outro capítulo, algumas discussões. A gente não briga muito. Ainda bem. Porque minha vida é tão conturbada e caótica. E você sempre transpira paz mesmo sendo um vulcão.
Eu preciso te agradecer com um bilhão de palavras que remetem a um muito-obrigada recheado de neon colorido com gostinho de vodcka boa.
Não seria demais te agradecer por me fazer voar com pés na calçada, quase aterrisando no chão, pra eu estar em um seguro equilíbrio entre o certo e o duvidoso. Obrigada por abrir meus olhos. Obrigada por me ler, por elogiar o que escrevo, por acreditar nas minhas palavras.
Obrigada por ter ido comigo encarar à vida. Ter sonhado meus sonhos e dividido minhas dores. Desde meus problemas familiares à dorzinhas de cotovelo por paixãozinhas vadias.
Obrigada por dizer que eu estava errada. E por reconhecer quando eu estava certa.
E eu nem ligo por você ter mas vindo no meu aniversário e sei que você não liga quando eu me esqueço de te parabenizar no seu. Nossa relação é assim, bem simples, pautada pela compreensão e aceitação. Tá certo que vira e mexe você diz que eu devo deixar de ser tão teimosa e às vezes eu te digo para você abrir mais seu coração. Uma tenta moldar a outra pra melhor. E acho que isso é prova de amor. Mas no final das contas, a gente se aceita. Assim. Obrigada por ter se aventurado no meu mundo confuso e sonhador cheio de anseios, desejos imorais e contraditórios, vontades insaciáveis. Dividimos tragos, cama e amigos. Dividimos um montão de palavras e segredos seguidos de: "Mas, olha, só você vai saber".
Obrigada por ter me dito palavras de conforto quando desmanchei com um amor. E depois vieram tantos outros.
Obrigada por ter dividido comigo a sua família, nosso prato, nossas roupas, a conta do restaurante e as suas manias. Nossas gírias e modo de falar tão intrínsecas, mal se sabe quem é quem quando não se vê. Obrigada por ter feito dos meus dias menos chatos. Obrigada pelas gargalhadas e conversas na escola, em casa, na rua ou no shopping, na pedra, ou dentro do nosso planeta habitado por nós.
Obrigada por me ensinar a ser melhor. A cair na real quando estou viajando por outros cantos do meu próprio e imaginário pensamento.
Aliás, obrigada por fazer esforço pra entender meu planeta. Por entra nele de cara e coragem. Mala e cuia. E me tirar dele quando preciso enfrentar essa vida aqui fora, que eu sempre digo: não sei se é pra mim.
Obrigada por não estranhar minhas estranhezas.
Obrigada por aceitar minhas manias, defeitos suspeitos, teimosias cansativas.
Não entendo muito os adultos, e espero nunca entender, para assim ter a certeza de que sempre serei eu mesma.
Você não é minha metade. Você é meu outro eu em corpo inteiro. Minha alma gêmea preta de Irajá. Cheia de glamour e olhos ofuscando felicidade. Você tem um sorriso sempre aberto escrito nas entrelinhas: "Vem pro meu mundo, vai ser divertido". E como é.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Verdade sobre Romeu e Julieta.

Sabem porque Romeu e Julieta são ícones do amor? São falados e lembrados, atravessaram os séculos incólumes no tempo, se instalando no mundo de hoje como casal modelo de amor eterno? Porque morreram e não tiveram tempo de passar pelas adversidades que os relacionamentos estão sujeitos pela vida afora. Senão provavelmente Romeu estaria hoje com a Manoela e Julieta com o Ricardão. Romeu nunca traiu a Julieta numa balada com uma loira linda e siliconada motivado pelo impulso do álcool. Julieta nunca ficou 5 horas seguidas esperando Romeu, fumando um cigarro atrás do outro, ligando incessantemente para o celular dele que estava desligado. Romeu não disse para Julieta que a amava, que ela especial e depois sumiu por semanas. Julieta não teve a oportunidade de mostrar para ele o quanto ficava insuportável na TPM.
Romeu não saia sexta feira a noite para jogar futebol com os amigos e só voltava as 6:00 da manhã bêbado e com um sutiã perdido no meio da jaqueta (que não era da Julieta). Julieta não teve filhos, engordou, ficou cheia de estria e celulite e histérica com muita coisa para fazer. Romeu não disse para Julieta que precisava de um tempo, que estava confuso,querendo na verdade curtir a vida e que ainda era muito novo para se envolver definitivamente com alguém. Julieta não tinha um ex-namorado em quem ela sempre pensava ficando por horas distante, deixando Romeu com a pulga atrás da orelha. Romeu nunca deixou de mandar flores para Julieta no dia dos namorados alegando estar sem dinheiro. Julieta nunca tomou um porre fenomenal e num momento de descontrole bateu na cara do Romeu no meio de um bar lotado. Romeu nunca duvidou da virgindade da Julieta.
Julieta nunca ficou com o melhor amigo de Romeu. Romeu nunca foi numa despedida de solteiro com os amigos num prostíbulo. Julieta nunca teve uma crise de ciúme achando que Romeu estava dando mole para uma amiga dela. Romeu nunca disse para Julieta que na verdade só queria sexo e não um relacionamento sério, ela deve ter confundido as coisas. Julieta nunca cortou dois dedos de cabelo e depois teve uma crise porque Romeu não percebeu a mudança. Romeu não tinha uma ex-mulher que infernizava a vida da Julieta. Julieta nunca disse que estava com dor de cabeça e virou para o lado e dormiu. Romeu nunca chegou para buscar a Julieta com uma camisa xadrez horrível de manga curta e um sapato para lá de ultrapassado, deixando-a sem saber onde enfiar a cara de vergonha. Por estas e outras que eles morreram se amando.

O fim de uma história sem fim.

Mal a história começou ser escrita e já trataram de colocar ponto final. Não se termina uma história quando ela está começando a ficar boa, um final mal feito estraga todo o resto. E até que o resto tava bonitinho, palavras de amor pra cá promessas pra lá, flores, chocolates, cartas e um caminhão de sonhos que fora despejado pelo chão, eram sonhos demais, e eles acabaram se perdendo no meio deles, sonharam demais agiram de menos. Agora estou aqui com essa história que não passou do sexto parágrafo, pois algum imbecil tratou de escrever um final ridículo só pra acabar com tudo de uma vez. A história tava tão meiga, tão simples e ao mesmo tempo tão bonita. Ah ela tava bonita! Eu até fiquei emocionada em algumas partes, quer ver quando o mocinho disse para aquela garota o quanto gostava dela, sabe ele usou palavras tão doces; nossa foi tão lindo, ainda mais que algumas lágrimas cintilavam naquele olhar frágil e ao mesmo tempo tão seguro de si. Eu já pensei em amassar essa história e jogar no lixo, já pensei em queimar, mas seria um desperdício dar fim em uma história tão linda por causa de um final mal feito. Então após muito pensar eu decidi guardar esse texto bem escondinho, quem sabe há possibilidade de reescrever o final.

A louca do Jardim

Pra onde vai o amor? De manhã eu preciso buscar um remédio pra minha mãe, depois tenho pilates e às 11 em ponto preciso estar na agência pra decidir um roteiro de vídeo para uma apresentação interna que o cliente vai fazer para a área comercial. Pra onde vai o amor? Quero aparecer na sua agência, subir as escadas correndo porque essa pergunta precisa ser feita de peito ofegante. Pra onde vai o amor? Você tem a apresentação de uma concorrência. E tem uma equipe, uma mesa, um lixo, um carro alto, um cabelo grande, um sobrenome importante, um quadro caro, uma ex namorada top model, dezenas de garotinhas apaixonadas. Pra onde vai o amor? Porque quando deitamos no chão da sua sala e você me perguntou "quanto tempo você demora pra dizer que ama?". Porque quando você me mandou aquele e-mail falando que dormiu bem quando me conheceu. Porque a gente estava tão nervoso no dia do Astor, Subastor. Porque eu tinha uma escova de dentes aí e você tinha uma escova de dentes aqui. Pra onde vai o amor? O que você fez com o seu? Deu descarga? O que eu faço com o meu? Dai eu te ligo, escondida no jardim da agência que eu trabalho. Chorando horrores. E te peço desculpas. "Eu sei que faz só um mês que estamos juntos, mas o que você fez com o nosso amor?". Por que você ficou frio e sumiu e esqueceu e secou e matou e deletou e resolveu e foi? E você diz que está trabalhando e eu me sinto idiota. Me sinto esfolada viva pelo mundo. Me sinto enganada por anjos. Me sinto inteira uma enganação. Respiro mentiras. Visto desculpas. Ajo disfarces. Porque a gente estava sim se amando mas você correu pra levantar antes a bandeira do "se fudeu trouxa, o amor não existe". Justo você que eu escolhi pra fugir comigo das feiúras do mundo. Porque você me emprestava a mão dormindo e pedia colo vendo tv e queria me fazer camarões fritos e escondia as meias suadas quando eu chegava antes do que você esperava. E você me perguntava o tempo todo se eu percebia como era legal a gente. E então, só pra fazer parte da merda universal de toda a bosta da vida, você se bandeou pro lado do impossível e se foi e me deixou como louca, escondida no jardim da agência, chorando, te perguntando pra onde foi o amor. E você riu e disse "mas eu só estou fazendo minhas coisas". E eu me senti idiota e louca e chata e isso foi muito cruel ainda que seja tão normal. Normal não me serve não encaixa não acalma. E eu achei que a gente podia ter uma bolha nossa pra ser louco e improvável e protegido do lugar comum do mundo mediano adulto das pessoas que riem e fazem suas coisas. E tudo ficou feio, até você que é lindo ficou feio. E eu quis me fazer cortes. Porque viver é difícil demais. E todo mundo me olhando, rindo, fazendo suas coisas. E daqui a pouco eu rindo e fazendo minhas coisas. E no fundo, abafado, dolorido, retraído, medicado, maduro, podre: onde está o amor? Onde ele vai parar? Onde ele deixou de nascer? Onde ele morreu sem ser? Por que eu sigo fazendo de conta que é isso. As pessoas seguem fazendo de conta que é isso. E por dentro, mais em alguns, quase nada em outros, ainda grita a pergunta. O mundo inteiro está embaixo agora do seu lindo e refinado e chique e rico prédio empresarial de milionários. Gritando nas janelas, batendo nas portas, tirando você da sua reunião: o que você fez com o amor? Esse dinheiro todo, essa responsabilidade toda, esses milhões todos, essas pessoas todas que você quer que te achem um homem. E o amor, o que você fez com ele? Enfiou no cu? Colocou na máquina de picar papel? Reaproveitou a folha pra escrever atrás? Reciclou? Remarcou pra daqui dois anos? Cancelou? Reagendou o amor? Demitiu o amor? É o amor que vai fazer você ser isso tudo e não isso tudo que você usa pra dar essas desculpas pro amor. Porque quando eu sentei no cantinho da cama e você leu seu livro de poesias de quando era criança. Porque quando você ficou nervoso porque queria me dizer que naquele minuto não estava me amando porque você acha que amor é isso além do que você pode. Amor é só o que você já estava podendo. O que você fez com esse pouco que virou nada? Com o muito que poderia virar? Eu aleijada, engessada, roxa, estropiada, quebrada, estou na porta, esperando você, por favor, me ensina, o que fazer, vou fazer o mesmo com o meu. Vou mandar junto com o seu. Nosso amor pro inferno, longe, explodido, nada. E a gente almoçando em paz falando sobre o tempo e as pessoas escrotas e o filme da semana. Bela merda isso tudo, bela merda você, bela merda eu, bela merda todos os sobreviventes que riem e fazem suas coisas e almoçam e falam de filmes. E por dentro o buraco gigante preenchido por antidepressivos, ansiolíticos, calmantes, cervejas, maconhas, viagens e mais reuniões. Pra onde foi o amor? De pé seguimos pra nunca saber, pra nunca responder, pra nunca entender. Pra onde? Você lendo o texto mais lindo da minha vida sobre o último dia morando com seus pais, você achando as moedinhas que o seu pai escondia no jardim quando você era criança, você me contando isso tudo baixinho e eu sentindo tantas milhares de coisas lindas, você falando da merda boiando e a dor dos seus fins de amor, você dormindo com seus cachinhos virados para o meu nariz, você fazendo a piada dos ombrinhos mais altos e mais baixos pra tirar sarro dos homens artistas e burocráticos, você por um mês e tanto amor. Todos os cheiros de todos os seus cantos. E agora eu louca porque não se pode sentir, porque senti sozinha, porque não se pode sentir em tão pouco tempo. Que tempo é esse quando o amor se apresenta tão mais forte e sábio que as regras de proteção? Quem quer pensar em acento flutuante quando se está voando? Quem quer pensar em pouso de emergência quando se está chegando em outro mundo melhor? E agora nada e você nada e tudo nada. O amor no planeta das canetas Bic que somem. O amor mais um como se pudesse ser mais um. O amor da vida de um mês. Você com medo de ser mais um e você único e tanto amor e tão pouco tempo. O que você fez com ele para eu nunca fazer igual? Eu prefiro ser quem te espera na porta pra entender. Eu prefiro ser quem te espera na outra linha pra entender. Eu prefiro ser a louca do jardim enquanto o mundo ri e faz suas coisas. Do que ser quem se tranca nessas salas infinitas suas pra nunca entender ou fazer que não sente ou não poder sentir ou ser sem tempo de sentir ou ser esquecido e finalmente não ser.

Amar é suicídio.

Faz tempo que não rezo mais pedindo a Deus pela sua proteção, agora ando olhando para o céu e pedindo pela minha, “me proteja dessa gente que não sabe amar...”
Eu ando precisando me recompor, preciso me livrar dessas lágrimas que insistem em encontrar meus lábios, preciso dar um jeito de mandar embora toda essa dor que ando carregando dentro do meu peito. E no meio desse turbilhão de sentimentos, anda cada vez mais difícil conseguir separar quem é bonito ou feio de alma, não consigo saber quem ama de quem finge amar, na verdade acho que nunca consegui saber quem é quem nesse mundo, só torço para encontrar alguém de verdade no meio dessa merda toda. E que merda que se tornou o amar, o amar dói, machuca e nos corrói, podem me dizer que o amor é lindo, o amor é isso e mais aquilo, que o amor te deixa nas nuvens (se bem que pelo tamanho do meu tombo eu deveria estar nas nuvens mesmo). Eu imploro para vocês só entreguem seus corações para quem for de verdade, porque dar seu coração a alguém que não sabe amar é suicídio.

Um café e um amor… Quentes, por favor!

Um café e um amor… Quentes, por favor!
Sem excessos de doçura ou amargura.
Forte
Doce…
Que ambos façam meu coração acelerar.
Que me mantenham vivo.

Um café e um amor… Quentes, por favor!
E que de nenhum deles eu sofra de vício,
Mas que de ambos,
Eu possa me dar ao luxo do hábito.

Um café e um amor… Quentes por favor!
Pra ter calma nos dias frios.
Pra dar colo
Quando as coisas estiverem por um fio.

E que eles nunca tenham gosto de ontem
Nem anseiem pelo amanhã
Que me façam feliz nesse agora,
Que me abracem pela manhã.

Amargos, suaves
Intensos, sutis
Saborosos!
E quentes.

Um café e um amor… Quentes por favor!

Carta de despedida - Querida Tristeza...

Companheira, sei que você vai chorar quando ler esta carta, mas quero deixar de ver você por uns tempos. Vai ser difícil para mim, pois me acostumei à sua presença, porém não vejo mais motivos para continuarmos juntas. Não nego sua importância; em diversos momentos difíceis da minha vida você permaneceu comigo, mesmo quando todos se afastaram. Só que, com você, sinto que não ando para a frente. Esse seu pessimismo me atrapalha.

Tenho tentado evitar você de todas as maneiras, e isso não é legal. Ainda mais porque sei que se magoa por qualquer coisinha. Mas basta você chegar e lá se vai minha alegria. Não agüento mais os seus assuntos mórbidos, a sua cara desanimada. Até sexo, com você, ficou sem graça. Nada mais broxante do que gente que chora durante a transa.

Perdi anos de minha vida ao seu lado, tristeza, acreditando em tudo que você dizia. Que o amor não existe e o mundo não tem jeito. Você é péssima conselheira para suas parceiras - que o digam a Marilyn e a Sylvia*. Agora, chegou a hora de dar chance à alegria, que há muito tem mostrado interesse em passar uns tempos comigo. Ela me elogia, sabe? Você? O único elogio que eu lembro de ter ouvido de você foi que eu fico bem de olheiras.

Veja bem: não estou dizendo que quero acabar com você para sempre. Sei que estou presa a você, de uma forma ou de outra, pelo resto da vida. E podemos muito bem ter os nossos momentinhos juntas, aos domingos ou em longas tardes de poesia. Só não posso é continuar à mercê dos seus péssimos humores, dia após dia, sabendo que você nunca irá mudar. Chega de fornecer moradia à sua pesada existência.

Desde pequena, abro mão de muita coisa pela sua companhia. Festas a que não fui porque você não me deixou ir, paisagens lindas nas quais não reparei porque você exigiu de mim total atenção, amigas que perdi porque insisti em levar você comigo a todos os lugares. Ora, tristeza, tente ao menos ser mais leve. Sorria de vez em quando, pare um pouco de se lamentar. Ou vai continuar sendo assim: ninguém querendo ficar com você. Não vou cobrar o que deixei de ganhar por sua má influência, pois sei que tristezas não pagam dívidas. Mas quero de volta meus discos de dance music, que você tirou da prateleira. E minhas roupas estampadas, que sumiram do meu armário depois que você se instalou aqui.

Por favor, não tente entrar em contato comigo com as mesmas velhas razões de sempre. Não é a fria lógica dos seus argumentos que irá guiar meu coração daqui por diante. Quero ver a vida por outros olhos, que não os seus. Quero beber por outros motivos, que não afogar você dentro de mim. Cansei da sua falta de senso de humor, do seu excesso de zelo. Vá resolver as suas carências em outro endereço.

Como me disse o Lulu, hoje de manhã, no carro, a caminho do trabalho: "Não te quero mal, apenas não te quero mais".

Vim devolver teus pedaços

Sabe, eu sempre fui muito espaçosa, então não é nada fácil pra mim ter que me acostumar com uma linha me limitando, não invadir seu espaço, não me jogar na sua vida toda. Foi sem querer que eu te roubei os espaços, foi tentando respirar em paz que eu te sufoquei. Nunca foi minha intenção impor minhas leis, te convencer das minhas verdades, transformar nosso amor num tipo de ditadura. É que eu sou assim, sem jeito, sem pausa. Sem você o mundo ficou grande demais pra mim e eu aprendi que conforto mesmo é ficar no seus braços, com o espaço que você tiver pra me dar. Que tudo que eu preciso é você. Sem vírgulas, sem mas, sem observações ou condições. Você do seu jeito, no seu tempo, com sua vida fora de mim, com seus dias com seus amigos e o seu futebol. Você com seu sorriso, seu cheiro, suas roupas, minha paz. Então, não sei, se você sente falta de tudo que a gente tinha, de tudo que eu atropelei por medo de perder, me deixa voltar pra sua vida e sentar no sofá. Comportada, sem me espalhar, sem te prender, sem exigir mil coisas. Só me deixa voltar, que eu cuido do resto e, principalmente, cuido de você.